terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ora, pombas!

   Era mais um sábado qualquer, aparentemente um sábado vazio. Mas a poesia estava comigo naquele ar de fins de inverno. Ilustre Mário Quintana me veio à mente:  "Todos esses que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão... eu passarinho!". Pois eu passava mesmo pela rua, e algumas pombas na calçada divertiam-se com migalhas no chão. Atravessei o território alheio, mas uma surpresa: as pombas não voaram! Algo que me intrigou muito. Mês atrás eu tentava tirar discretamente uma foto de uma pomba, a uma boa distância, e fracassava num súbito voo. Já estava prestes a atravessar a rua, mas dei meia volta para passar novamente entre aqueles tão graciosos animais. Surpresa mesmo, estavam calmas como o vento. Minha presença era como se não existisse. 
   Confesso que nunca entendi muito bem a essência daqueles versos. Alguém muito especial me disse uma vez que eles continham um "eu passarei rindo". Exatamente o que eu fiz, passei rindo. Rindo para mim, claro.  Um riso interior, tão bom para a alma. E o que era um sábado vazio, transbordou nessas pequenas palavras.  E aqueles que estivessem atravancando o meu caminho, azar o deles. Façamos como as pombas, mantendo o instinto de segurança, mas também lembrando que às vezes o que precisamos fazer é simplesmente não deixar que certas coisas nos desviem dos nossos objetivos. E passaremos rindo!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Top oito ou oitenta!

   Não gosto de top's 10. São tão limitantes e subjetivos. Cada um tem o seu, não é regra geral. Mas a mídia insiste em selecionar os melhores. Pode ser que sejam, realmente, os melhores. Mas para você ou para mim, naquele momento, naquele contexto e estação do ano. Posso fazer um top 10 de músicas quando estou triste, outro quando estou com sono, outro quando estou explodindo de felicidade e outro quando sinto aquela nostalgia de fim de ano. Podemos fazer um top 10 com os melhores jogadores do ano, e depois marcar um joguinho com o pessoal aqui da rua para ver se um jogador de final de semana não se sai muito melhor. 
   Que mania é essa de classificar? Existem mil e um critérios que podem ser usados e, por mais que você escolha um, sempre será subjetivo. Sempre alguém não irá concordar. E nós não saberemos se não foram feitos intencionalmente. Num país onde houve censura, fica o alerta. Nem top 10, nem 50 nem 100. É mesmo oito ou oitenta. Pois é, sociedade, será que é pedir demais valorizar a todos e a tudo do mesmo modo? Não é pedir para gostar das mesmas coisas, é só um pedido de mais irmandade. Isso sim, seria 10!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Para (re)tornar.

   Sabe quando você tem o costume de escrever, está frequentemente martelando ideias na sua mente, fica um tempo sem fazê-lo e dá aquele branco quando toma a iniciativa? É mais ou menos isso que aconteceu hoje. Tantos assuntos sobre os quais poderia escrever, mas a situação estava mais próxima de um "jogo de sério" com a página em branco. E não mais que de repente, esse torna-se o tema da postagem. Que círculo vicioso, voltar para onde se começou. Não é uma regra, mas pode perceber que quando uma coisa não está concluída, voltas até podem ser dadas, outras situações até podem nos distrair, mas retornamos ao mesmo ponto. E interessante é como tudo está interligado. Você pensa em  algo que tem a ver com outro, que lembra aquela pessoa que é parente de outra, que conhece o fulano que viajou para um lugar e comprou tal coisa que combina com o primeiro algo. 
    E você rodou o pensamento para retornar. Retornar. Isso me lembra de uma frase que alguém uma vez disse: a vida é uma volta para casa. Confesso que não sei exatamente o que isso quer dizer, mas é bonito, porque faz refletir. E no final das contas, acabamos retornando mesmo, bem que eu lhe disse. Aqui estou eu,  em casa, ou melhor, de volta a minha casa, de férias das aulas. E talvez aquela preguiça boa das férias tenha dissipado um pouco as ideias. Ou sido um bom motivo para preencher um bom espaço em branco e falar para vocês que é sempre muito bom concluir, a fim de que não voltemos ao mesmo ponto de sempre. A fim de que, ao invés de rebater a mesma tecla, possamos dar a volta por cima e ir para a próxima. Então, até a próxima, que desse assunto eu já cansei.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entre goles de café

   Meu paladar apreciava o sabor inconfundível do café. Meus olhos apreciavam o ambiente ao meu entorno. E meus ouvidos escutavam aqueles ruídos. Não, não eram batidas de pés de crianças correndo no chão. Não eram risadas de adolescentes em seus ataques de loucura. Não era o colégio. Eram passos apressados de pessoas carregadas de livros. Barulho do sapato emborrachado de professores bem apresentados, com gel no cabelo e pasta na mão. "Tac-tac" do salto daquelas mulheres finas e elegantes. Aquelas pessoas trajadas em branco trocando palavras rápidas no celular.
    Entre goles de café, meu pensamento também apreciava algo. Mas a escolha. "Rumo a Pelotas!"- muitos me diziam quando passei no vestibular. "O quê? Pelotas? Nããão, faz cursinho, Santa Maria é tão mais perto de Cruz Alta, ano que vem tu passas na federal. Claro, a vaga de Medicina conquistada com muito estudo só iria para o lixo. Mas isso era detalhe, para quem não sabia o que havia sido percorrido nesse caminho. "Ah, 17 anos. Nem sabe o que quer da vida." Pelotas, cursinho, Pelotas, cursinho. Cursinho? Isso mesmo, Pelotas! Ah, Pelotas. Agora eu agradeço o incentivo de quem me disse sim!
   Quem lê, pensa: coloque um título mais claro para o assunto. Café. Acorde ! Acoooorde ! Sair do estado de desânimo, ganhar energia, vida. Eu saí. Eu acordei para a vida. Entre um gole e outro, eu acordei. E percebi que era hora de voltar pro "apê", muito estudo para ser concluído. Afinal eu estava na universidade. Aliás, estou. Afinal, fiz uma escolha.Vida nova, Medicina. Pelotas. Universidade . Universidade Católica de Pelotas.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Essas manias que temos...

 ...de exaltar tudo que nos diz respeito! Por que tem que ser do nosso jeito? Que teimosia de pensar que estamos certos sempre. Que nosso esforço é o maior, que nosso sofrimento é o maior, que nosso trabalho é o melhor, que nosso curso é o melhor, que nossa cultura é a melhor, que nossos gostos são o que fazem sentido. E que pena quase não perceber que em cada detalhe da nossa vida existe um pouquinho do outro, que ninguém é mais importante que ninguém, que ninguém sabe mais que ninguém. Que somos extremamente dependentes.Que somos apenas seres humanos.

domingo, 25 de março de 2012

Era uma vez...

...o Terceirão 2011! Pois é, eu juro que estava esperando que quando acabassem as férias eu encontraria os mesmos colegas de anos, os mesmos professores, a mesma rotina, as mesmas salas...que andaria pelos mesmos corredores do mesmo colégio no qual estudei desde os 5 anos de idade. Meio tarde para me manifestar quando a isso, afinal já estamos em fins de março. Mas às vezes a gente prefere fechar os olhos, fingir que nunca vamos ficar longe daqueles amigos quase que inseparáveis, e que vai ser fácil reuni-los novamente.
    "Fomos cúmplices." O trecho que mais se sobressai em minha mente quando lembro do discurso de formatura. Não, não fomos a turma mais (complete com o que você quiser), nem menos. Melhor que isso, nos superamos nesse último ano, e o maior prova foi a força na gincana Unijuí. Não precisamos atingir as melhores colocações para aprender o quanto vale um trabalho em equipe.
   É, pessoal, eu já sabia que sentiria saudades. E não só dos colegas de 2011, mas também daqueles que tomaram outros rumos ao longo dessa caminhada! Agora cada um caminha por si, mas tenham a certeza de que o que passamos juntos, ninguém nunca vai apagar. Do STS, para o mundo! E "bora pra frente", terceiragens :)



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Moral da história?

     Terça-feira à noite, sem nada para fazer? Assiste o paredão do BBB. É sério, o Bial sempre fala alguma mensagem interessante. Se você é fã, estou dando a dica certa. Se não é, eu sei que você sabe mesmo que indiretamente o que acontece na casa, através das conversas dos seus amigos. Vai dizer que não? Mesmo que diga, deixe eu chegar ao ponto. Por um acaso, eu estava em frente à tevê no momento mais tenso para Jonas e João Maurício, momento este em que Pedro Bial conta...uma fábula!
     O que minha vaga memória sonolenta captou eu tentarei reproduzir resumidamente agora. Havia três cegos, que ouviram um barulho de um elefante que se alimentava próximo a eles. O primeiro cego perguntou: "- O que é isso?" O segundo responde: "- É um elefante." E o terceiro: "E o que é um elefante?" O primeiro aproximou-se e, segurando o rabo do animal, disse que era como uma corda. O segundo, apalpando a orelha do grandalhão, disse que era como um tapete. Já o terceiro, abraçando uma das patas, concluiu: nem corda, nem tapete, mas sim uma coluna! E a discussão estava armada: cada um querendo defender o seu ponto de vista. Enquanto isso, o elefante continuava a se alimentar, indiferente ao que eles pensavam.
     Moral da história? Bial pulou essa parte, foi direto para: "João Maurício, vem conhecer primeiro o elefante!", algo do tipo. Mas eu me atrevo a dar a minha interpretação sobre. Igreja e ciência, por exemplo. Ou nós mesmos, no dia a dia. Um defende um ponto de vista, outro defende mais um completamente diferente. A vida passa e o bate-boca sobrevive. Resolveu? Não. É difícil aceitar as diferenças, e como é. Pois eu digo que perdemos tempo tentando nos impor, porque ninguém detém a verdade. Se descobríssemos a razão de todas as coisas, tudo estaria perfeito e não haveria nada a melhorar. Isso se aplica aqui também. São opiniões, ideias. E eu defendo o respeito. Podemos muito bem unir o melhor que temos em cada um de nós, ao invés de descartarmos tudo o que é alheio.
     É a maneira que se pode encontrar para não discutirmos infinitamente, enquanto muitos indiferentes precisam de nós e muitos inocentes perdem a vida por uma causa. Você pode achar ingênua e boba essa reflexão. Ou você pode pensar como eu. Não importa, só peço, em nome daqueles que não tiveram a chance de pedir: respeito! No mais, "fique de olho"!