sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um momento, por favor.

   Quatro horas da manhã, aquele vira pra um lado, vira pra outro e o sono não vem. Não sei, tenho algo com a noite que ainda não descobri. Mas quem nunca teve insônia na vida que me dê a receita. O silêncio, o barulhinho do relógio e dos grilos lá fora. Agora talvez você deva estar pensando porque eu escrevo essas coisas, talvez para você tão simples e tão, tão...sem graça. Pois é, meu caro, o que ocorre é que a vida não se faz só de grandes acontecimentos. Até porque se assim fosse, não poderíamos chamá-los de grandes: seriam rotina. Alguém já deve ter lhe falado que a vida é feita de momentos. Ora tristes, ora felizes: momentos. Eu sugiro que os coloquemos na balança: saibamos tirar as lições de cada um e fazer de tudo para que o lado feliz pese mais. Neste momento? Sono. Condição necessária para nosso corpo e mente. Quando eu acordar quem sabe tudo se ajeite, eu juro que vou me esforçar pra que o lado feliz pese mais e espero que você faça o mesmo. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Deixa fluir!

   Confesso que fazia tempo, muito tempo...que eu não dormia com um livro aberto em meu peito. Aquele ler sem compromisso, que te desliga por alguns instantes da vida real, que te faz olhar as coisas de outro ângulo (melhor, diga-se de passagem). "Se é tão bom por que dormiste?"(tu me perguntas). E eu replico, caro leitor: quando te sentes seguro, em aconchego, tu não dormes? Embora em uma outra dimensão- aquela em que o livro me colocara- eu me sentia mais em casa do que nunca.
   "Ser como o rio que flui". Belo título, de Paulo Coelho. Tanta coisa me passara pela mente lendo suas palavras, mas gostaria de ressaltar aqui a história do lápis. Aprendi que há cinco qualidades no lápis que fariam uma pessoa ser em paz com o mundo. Não se deve esquecer que há uma mão que o guia; que o apontador o faz sofrer, mas o torna mais afiado; que uma borracha pode apagar o que está errado; que a forma exterior não importa, mas sim o grafite que está dentro; que ele deixa marcas. Resolvi deixar esta marquinha aqui hoje, como me ajudou pode ajudar outras pessoas também. Foi uma boa história para embalar meu sono. Que consigamos ser, então, como o lápis, cuidando de nossas ações e sendo- por que não?- como um rio que flui.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Pra quem escreve...

Lanço o olhar sobre esta coxilha
Confesso as lágrimas ao sol poente
Choro a dor que sofre esta minha gente
Ao sabor do amargo com maçanilha

Só entende quem sabe que a estrada é dura
Talvez cedo ou tarde se revele a cura
Ao queimar do sol ou arrepiar da neve
Pois pra quem escreve o mal não se atreve

Endireito os ombros, sigo com postura
Ora em poesia, ora em prosa pura
E qualquer tristeza a água levará embora
Na chuva que a vida e os campos sempre revigora.




Ah, terra amada!

E nesta terra de encantos mil
Corre em mim o sangue da esperança
Que o coração bombeia a herança
Do povo e Sul do Brasil

O sonho de criança ainda está de pé
A prenda sustenta a bravura
Dos pais leva a ternura
Eleva em prece toda a sua fé

Por este Rio Grande de minh'alma viajo
Seja fim de tarde, seja madrugada
Pois quem bebe água da fonte na lenda que guardo
Retorna ao som da passarada pro aconchego da terra amada.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Linda falta!

Miss Rio Grande do Sul vence no último sábado. Linda, linda mesmo. "Miss". Do inglês "achar falta de". Pois eu digo que acho falta, muita falta. Mobilizar todo esse dinheiro, esse concurso...pois é, quase cem por cento em função do corpo. É isso que o ser humano insiste em valorizar mais, é isso aí. Temos que sentir orgulho de nós mesmos, torcendo para mulheres de biquíni, esquecendo do orgulho muito maior que devíamos estar lutando para manter ou conseguir. Deveríamos estar torcendo para milhares de pessoas que nada tem pra vestir, pra comer ou manter seu corpo literalmente. Pessoas que padecem, morrem, choram de dor. Devíamos estar torcendo um pouco mais para nós mesmos, para aquelas pessoas que nos querem bem. Infelizmente esses valores vão sendo deixados de lado, e é o corpo que prevalece. Devíamos querer ver os rostos bonitos daqueles que precisam da nossa força, e que sorriem quando a recebem. É disso que deveríamos nos orgulhar. É para isso que devemos torcer. No entanto, como dito no filme "Darwin, a origem das espécies", "a natureza seleciona pela sobrevivência;o homem, pela aparência". Mas um dia a gente chega lá, eu espero. Ei, Brasil, Ei, Universo! Miss. Falta, muita falta.

sábado, 1 de setembro de 2012

Para o tempo.

   Pare, tempo, pare! Deixe eu curtir mais este momento, eu quero a impressão de que as horas boas duram mais. Onde vai com tanta pressa? Assim não consigo acompanhar você. Calma, tempo, calma. Eu digo que estou correndo, mas não estou contra você, tempo, eu juro. Eu só peço que me espere. Deixe, tempo, deixe. Deixe eu brincar mais um pouco, o dever de casa já ficará pronto. Espere, tempo, espere, Preciso dormir mais cinco minutos, eu já vou levantar. Não leve, tempo, não leve. Não leve estes que tanto amo. Prolongue, tempo, prolongue. Prolongue o tempo deste beijo, deste abraço. Eu já vou, tempo, eu já vou. Já vou decidir o que quero seguir na vida. Deixe, tempo, deixe. Deixe eu estudar mais um pouco, estou quase pronta para esta prova. Leve-me, tempo, me leve. Leve-me para um lugar bom, para o lugar dos meus sonhos. Aumente, tempo, aumente. Aumente a duração desse final de semana. Por que tanta velocidade? Eu quero dizer que tenho tempo, o tempo que eu quiser. Eu sei que não é assim, tempo, eu sei. Mas então não pare, tempo, não pare. Eu quero mais história para escrever, quero mais vida para contar. Eu quero essa sua energia, tempo, incessante. Pare, tempo, mas não me pare, espere aí, eu vou com você!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ora, pombas!

   Era mais um sábado qualquer, aparentemente um sábado vazio. Mas a poesia estava comigo naquele ar de fins de inverno. Ilustre Mário Quintana me veio à mente:  "Todos esses que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão... eu passarinho!". Pois eu passava mesmo pela rua, e algumas pombas na calçada divertiam-se com migalhas no chão. Atravessei o território alheio, mas uma surpresa: as pombas não voaram! Algo que me intrigou muito. Mês atrás eu tentava tirar discretamente uma foto de uma pomba, a uma boa distância, e fracassava num súbito voo. Já estava prestes a atravessar a rua, mas dei meia volta para passar novamente entre aqueles tão graciosos animais. Surpresa mesmo, estavam calmas como o vento. Minha presença era como se não existisse. 
   Confesso que nunca entendi muito bem a essência daqueles versos. Alguém muito especial me disse uma vez que eles continham um "eu passarei rindo". Exatamente o que eu fiz, passei rindo. Rindo para mim, claro.  Um riso interior, tão bom para a alma. E o que era um sábado vazio, transbordou nessas pequenas palavras.  E aqueles que estivessem atravancando o meu caminho, azar o deles. Façamos como as pombas, mantendo o instinto de segurança, mas também lembrando que às vezes o que precisamos fazer é simplesmente não deixar que certas coisas nos desviem dos nossos objetivos. E passaremos rindo!