sábado, 15 de dezembro de 2012

Pra quem escreve...

Lanço o olhar sobre esta coxilha
Confesso as lágrimas ao sol poente
Choro a dor que sofre esta minha gente
Ao sabor do amargo com maçanilha

Só entende quem sabe que a estrada é dura
Talvez cedo ou tarde se revele a cura
Ao queimar do sol ou arrepiar da neve
Pois pra quem escreve o mal não se atreve

Endireito os ombros, sigo com postura
Ora em poesia, ora em prosa pura
E qualquer tristeza a água levará embora
Na chuva que a vida e os campos sempre revigora.




Ah, terra amada!

E nesta terra de encantos mil
Corre em mim o sangue da esperança
Que o coração bombeia a herança
Do povo e Sul do Brasil

O sonho de criança ainda está de pé
A prenda sustenta a bravura
Dos pais leva a ternura
Eleva em prece toda a sua fé

Por este Rio Grande de minh'alma viajo
Seja fim de tarde, seja madrugada
Pois quem bebe água da fonte na lenda que guardo
Retorna ao som da passarada pro aconchego da terra amada.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Linda falta!

Miss Rio Grande do Sul vence no último sábado. Linda, linda mesmo. "Miss". Do inglês "achar falta de". Pois eu digo que acho falta, muita falta. Mobilizar todo esse dinheiro, esse concurso...pois é, quase cem por cento em função do corpo. É isso que o ser humano insiste em valorizar mais, é isso aí. Temos que sentir orgulho de nós mesmos, torcendo para mulheres de biquíni, esquecendo do orgulho muito maior que devíamos estar lutando para manter ou conseguir. Deveríamos estar torcendo para milhares de pessoas que nada tem pra vestir, pra comer ou manter seu corpo literalmente. Pessoas que padecem, morrem, choram de dor. Devíamos estar torcendo um pouco mais para nós mesmos, para aquelas pessoas que nos querem bem. Infelizmente esses valores vão sendo deixados de lado, e é o corpo que prevalece. Devíamos querer ver os rostos bonitos daqueles que precisam da nossa força, e que sorriem quando a recebem. É disso que deveríamos nos orgulhar. É para isso que devemos torcer. No entanto, como dito no filme "Darwin, a origem das espécies", "a natureza seleciona pela sobrevivência;o homem, pela aparência". Mas um dia a gente chega lá, eu espero. Ei, Brasil, Ei, Universo! Miss. Falta, muita falta.

sábado, 1 de setembro de 2012

Para o tempo.

   Pare, tempo, pare! Deixe eu curtir mais este momento, eu quero a impressão de que as horas boas duram mais. Onde vai com tanta pressa? Assim não consigo acompanhar você. Calma, tempo, calma. Eu digo que estou correndo, mas não estou contra você, tempo, eu juro. Eu só peço que me espere. Deixe, tempo, deixe. Deixe eu brincar mais um pouco, o dever de casa já ficará pronto. Espere, tempo, espere, Preciso dormir mais cinco minutos, eu já vou levantar. Não leve, tempo, não leve. Não leve estes que tanto amo. Prolongue, tempo, prolongue. Prolongue o tempo deste beijo, deste abraço. Eu já vou, tempo, eu já vou. Já vou decidir o que quero seguir na vida. Deixe, tempo, deixe. Deixe eu estudar mais um pouco, estou quase pronta para esta prova. Leve-me, tempo, me leve. Leve-me para um lugar bom, para o lugar dos meus sonhos. Aumente, tempo, aumente. Aumente a duração desse final de semana. Por que tanta velocidade? Eu quero dizer que tenho tempo, o tempo que eu quiser. Eu sei que não é assim, tempo, eu sei. Mas então não pare, tempo, não pare. Eu quero mais história para escrever, quero mais vida para contar. Eu quero essa sua energia, tempo, incessante. Pare, tempo, mas não me pare, espere aí, eu vou com você!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ora, pombas!

   Era mais um sábado qualquer, aparentemente um sábado vazio. Mas a poesia estava comigo naquele ar de fins de inverno. Ilustre Mário Quintana me veio à mente:  "Todos esses que aí estão, atravancando o meu caminho, eles passarão... eu passarinho!". Pois eu passava mesmo pela rua, e algumas pombas na calçada divertiam-se com migalhas no chão. Atravessei o território alheio, mas uma surpresa: as pombas não voaram! Algo que me intrigou muito. Mês atrás eu tentava tirar discretamente uma foto de uma pomba, a uma boa distância, e fracassava num súbito voo. Já estava prestes a atravessar a rua, mas dei meia volta para passar novamente entre aqueles tão graciosos animais. Surpresa mesmo, estavam calmas como o vento. Minha presença era como se não existisse. 
   Confesso que nunca entendi muito bem a essência daqueles versos. Alguém muito especial me disse uma vez que eles continham um "eu passarei rindo". Exatamente o que eu fiz, passei rindo. Rindo para mim, claro.  Um riso interior, tão bom para a alma. E o que era um sábado vazio, transbordou nessas pequenas palavras.  E aqueles que estivessem atravancando o meu caminho, azar o deles. Façamos como as pombas, mantendo o instinto de segurança, mas também lembrando que às vezes o que precisamos fazer é simplesmente não deixar que certas coisas nos desviem dos nossos objetivos. E passaremos rindo!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Top oito ou oitenta!

   Não gosto de top's 10. São tão limitantes e subjetivos. Cada um tem o seu, não é regra geral. Mas a mídia insiste em selecionar os melhores. Pode ser que sejam, realmente, os melhores. Mas para você ou para mim, naquele momento, naquele contexto e estação do ano. Posso fazer um top 10 de músicas quando estou triste, outro quando estou com sono, outro quando estou explodindo de felicidade e outro quando sinto aquela nostalgia de fim de ano. Podemos fazer um top 10 com os melhores jogadores do ano, e depois marcar um joguinho com o pessoal aqui da rua para ver se um jogador de final de semana não se sai muito melhor. 
   Que mania é essa de classificar? Existem mil e um critérios que podem ser usados e, por mais que você escolha um, sempre será subjetivo. Sempre alguém não irá concordar. E nós não saberemos se não foram feitos intencionalmente. Num país onde houve censura, fica o alerta. Nem top 10, nem 50 nem 100. É mesmo oito ou oitenta. Pois é, sociedade, será que é pedir demais valorizar a todos e a tudo do mesmo modo? Não é pedir para gostar das mesmas coisas, é só um pedido de mais irmandade. Isso sim, seria 10!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Para (re)tornar.

   Sabe quando você tem o costume de escrever, está frequentemente martelando ideias na sua mente, fica um tempo sem fazê-lo e dá aquele branco quando toma a iniciativa? É mais ou menos isso que aconteceu hoje. Tantos assuntos sobre os quais poderia escrever, mas a situação estava mais próxima de um "jogo de sério" com a página em branco. E não mais que de repente, esse torna-se o tema da postagem. Que círculo vicioso, voltar para onde se começou. Não é uma regra, mas pode perceber que quando uma coisa não está concluída, voltas até podem ser dadas, outras situações até podem nos distrair, mas retornamos ao mesmo ponto. E interessante é como tudo está interligado. Você pensa em  algo que tem a ver com outro, que lembra aquela pessoa que é parente de outra, que conhece o fulano que viajou para um lugar e comprou tal coisa que combina com o primeiro algo. 
    E você rodou o pensamento para retornar. Retornar. Isso me lembra de uma frase que alguém uma vez disse: a vida é uma volta para casa. Confesso que não sei exatamente o que isso quer dizer, mas é bonito, porque faz refletir. E no final das contas, acabamos retornando mesmo, bem que eu lhe disse. Aqui estou eu,  em casa, ou melhor, de volta a minha casa, de férias das aulas. E talvez aquela preguiça boa das férias tenha dissipado um pouco as ideias. Ou sido um bom motivo para preencher um bom espaço em branco e falar para vocês que é sempre muito bom concluir, a fim de que não voltemos ao mesmo ponto de sempre. A fim de que, ao invés de rebater a mesma tecla, possamos dar a volta por cima e ir para a próxima. Então, até a próxima, que desse assunto eu já cansei.